19 de outubro de 2019
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coluna Econômica

Rombo nas contas externas dobra em julho e remessa de lucros e dividendos triplica

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 19 de outubro de 2019
Nos primeiros sete meses deste ano, a diferença entre todos os dólares gastos lá fora pelo Brasil, e tudo o que o País recebeu do exterior em moedas estrangeiras deixou um "buraco" de US$ 21,683 bilhões. Foto: Divulgação / Banco Central

O déficit na conta de transações correntes do País, que resume todas as transações do Brasil com o restante do mundo, passou a crescer em velocidade mais acentuada do que os investimentos realizados por estrangeiros aqui dentro, refletindo principalmente o salto nas remessas de lucros e dividendos realizadas nos últimos meses. Em julho deste ano, segundo nota à imprensa divulgada ontem pelo Banco Central (BC), o rombo pouco mais do que dobrou em relação ao mesmo mês de 2018, avançando de US$ 4,396 bilhões para US$ 9,035 bilhões, em alta de 105,5%.

Nos primeiros sete meses deste ano, a diferença entre todos os dólares gastos lá fora pelo Brasil, seja para amortizar a dívida vencida no período e seus juros, seja no pagamento de fretes, viagens internacionais, royalties e outras despesas e tudo o que o País recebeu do exterior em moedas estrangeiras deixou um déficit de US$ 21,683 bilhões. O buraco cresceu 76,8% em relação ao rombo de US$ 12,261 bilhões acumulado entre janeiro e julho de 2018. Na mesma comparação, o investimento direto realizado majoritariamente por companhias estrangeiras cresceu 17,1%, saindo de US$ 38,428 bilhões para US$ 44,996 bilhões.

O ritmo de crescimento das duas contas pode ter se distanciado, mas o fluxo de investimentos ainda tem sido suficiente para cobrir todo o déficit na conta de transações correntes. No ano passado, sempre considerando os dados acumulados nos sete meses iniciais do período, os investimentos haviam sido três vezes superiores ao déficit (corresponderam, mais precisamente, a 213,4% do rombo). Neste ano, a relação ficou em 107,5% – suficientemente confortável, até o momento, para permitir que o País enfrente eventuais turbulências na economia mundial com menores danos do que em períodos recentes de sua história econômica.

Imprevistos

A consolidação de um cenário mais crítico na conjuntura internacional certamente afetaria a entrada de investimentos estrangeiros, reduzindo a folga observada atualmente. Ainda assim, parece improvável, dadas as condições presentes no balanço de pagamentos, que o País volte a enfrentar escassez de dólares – salvo um agravamento não esperado da economia global e erros monumentais na condução da política econômica pela equipe do ministro brasileiro dos mercados. Neste caso, restaria ainda a “última barreira”, representada pela forte posição das reservas brasileiras em moedas fortes (dólares, predominantemente, mas também ouro, títulos do Tesouro dos Estados Unidos e outras formas de aplicação).

Balanço

·   O aumento do déficit na conta de transações correntes em julho esteve associado à redução de 54,8% no saldo entre exportações e importações de bens, que despencou de US$ 3,547 bilhões em 2018 para US$ 1,602 bilhão. E ainda ao crescimento de 202,2% nas remessas de lucros e dividendos, que saltaram de US$ 1,036 bilhão para US$ 3,132 bilhões.

·   Os dois itens influenciaram igualmente o aumento do rombo no acumulado dos sete primeiros meses do ano. No caso da balança comercial, o superávit encolheu 21,9% em relação aos meses sete meses de 2018, baixando de US$ 31,162 bilhões para pouco menos de US$ 24,350 bilhões.

·   As remessas de lucros e dividendos para fora do País avançaram 32,5%, passando de US$ 10,965 bilhões para US$ 14,533 bilhões.

·   Os investimentos em carteira (ações e títulos emitidos por empresas e pelo governo brasileiro) experimentaram forte retração em julho, numa redução de praticamente 85% (de US$ 10,913 bilhões para US$ 1,642 bilhão, refletindo a saída do País de US$ 9,271 bilhões em um único mês).

·   O comportamento daqueles investimentos em julho condicionou os resultados acumulados nos sete meses iniciais deste ano, refletidos numa redução de 79,3% nesse tipo de aplicação financeira, de US$ 12,654 bilhões para US$ 2,618 bilhões (perdas de US$ 10,036 bilhões).

·   A reversão foi mais severa na carteira de títulos de dívida (debêntures privadas, por exemplo, ou papéis do Tesouro brasileiro), que chegou a receber US$ 12,454 bilhões em 2018 e registrou a saída (entradas menos saques) de US$ 1,20 bilhão neste ano, até julho.

As despesas naquela modalidade (ou saídas brutas de dólares) cresceram 23,2% nos sete primeiros meses deste ano frente a igual intervalo de 2018, subindo de US$ 139,139 bilhões para US$ 171,474 bilhões (ou seja, US$ 32,335 bilhões a mais). 

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