22 de outubro de 2019
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coluna Econômica

PIB brasileiro cresce no segundo trimestre e atinge 0,4%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 22 de outubro de 2019
País livra-se de nova recessão e volta a gerar tanta riqueza quanto em 2012

Ouvem-se rojões pelos lados do Planalto Central. “O PIB cresceu. O PIB cresceu”, exclama o histrião. Sim, cresceu uma “enormidade”, superando as previsões dos mercados, de analistas e até mesmo do Banco Central (BC), já que seu indicador da atividade econômica havia antecipado certa retração no segundo trimestre do ano para o Produto Interno Bruto, o PIB festejado pelo bufão. O crescimento no segundo trimestre atingiu 0,4% em relação ao primeiro, quando a economia havia registrado recuo de 0,1% – dado revisado agora pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que havia anunciado baixa de 0,2% anteriormente.

O Brasil livrou-se de uma recaída recessiva, é fato, mas o volume total de riquezas produzidas pelo País retornou, assim, aos mesmos níveis registrados no segundo trimestre de 2012. No passo atual, com taxas de crescimento anuais na faixa de 1,0%, será possível repetir o pico alcançado no primeiro trimestre de 2014, antes da crise, daqui a quase cinco anos, por volta da primeira metade de 2024, praticamente uma década após iniciada a crise e quase oito anos depois de encerrada a recessão. Esse tipo de projeção carrega, no entanto, um tipo de idiossincrasia insuperável: pressupõe-se que a realidade não sofrerá mutações daqui em diante, para o bem ou para o mal.

Decisões de política econômica ou mudanças conjunturais, como as que ocorrem neste momento na área externa, podem alterar as tendências na economia, e o ambiente internacional pode não favorecer expectativas mais otimistas. O cenário à vista mostra um agravamento da crise na Argentina, à beira de um calote, desaceleração das principais economias globais e piora no comércio mundial (afetando negativamente as perspectivas de avanço das exportações brasileiras), afetado pela escalada na disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Nesta última área, Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI) refizeram suas projeções para este ano, reduzindo a previsão do comércio global de 3,6% (projeção feita em janeiro pelo banco) a 3,4% (na estimativa de abril do fundo) para 2,6% e 2,5% respectivamente, na reavaliação divulgada em junho por ambas instituições (no caso do FMI, apenas dois meses depois de prever alguma coisa mais vigorosa para o setor).

Patinando

Nos últimos quatro trimestres, segundo o IBGE, a variação do PIB frente aos trimestres imediatamente anteriores flutuou entre 0,5% no terceiro trimestre do ano passado e 0,4% no segundo deste ano, com variações de 0,1% e -0,1% no quatro trimestre de 2018 e no primeiro deste ano, respectivamente. Pela ótica da demanda, apenas o investimento anotou melhora relevante, com a ajuda das importações e de algum impulso interno, já que a construção civil conseguiu crescer depois de 20 trimestres no negativo. Os demais fatores experimentaram estabilidade relativa ou queda de fato.

Balanço

·   O consumo das famílias tem se mantido baixo, com avanços de 0,6% (terceiro trimestre de 2018), 0,5% (quarto trimestre do ano passado), 0,3% e 0,3% no primeiro e no segundo trimestres deste ano. Esse desempenho não tem contribuído para dar sustentação a taxas de crescimento mais auspiciosas para a economia em seu conjunto.

·   No setor externo (exportações de bens e serviços menos importações) tem dado contribuição negativa na formação do PIB, já que as exportações experimentaram neste ano o segundo trimestre consecutivo de retração (-2,9% no primeiro e -1,6% no segundo), enquanto as importações avançaram 0,9% e 1,0% respectivamente.

·   O consumo do governo, afetado pelas medidas de restrição aos gastos públicos, que já havia recuado 0,3% no quarto trimestre de 2018, avançou 0,5% no primeiro trimestre deste ano e devolveu com troco a alta anterior ao baixar 1,0% no trimestre abril-junho de 2019 (sempre em relação aos três meses imediatamente anteriores).

·   A indústria extrativa continuou puxando o resultado geral para baixo, com queda de 3,8% (principalmente por conta da redução da produção de minério de ferro), mas as indústrias de transformação e de construção avançaram 2,0% e 1,9%. Assim, o PIB industrial chegou a apresentar variação positiva de 0,7%.

·   Será preciso sustentar essas taxas daqui para frente se os setores de transformação e da construção pretendem retomar suas melhores marcas, anteriores à crise. Nesta comparação, conforme anota o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), aqueles setores estão ainda 15% e 30%, respectivamente,abaixo dos seus melhores dias.

Depois de dois trimestres de queda, o investimento subiu 3,2% no segundo trimestre deste ano, atingindo 15,9% do PIB, mesma taxa registrada no segundo trimestre de 2016 e ainda 26% abaixo do pico registrado no segundo trimestre de 2013. 

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