19 de outubro de 2019
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coluna Econômica

Depois da excitação, o banho de água fria com nova baixa na produção da indústria

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 19 de outubro de 2019
O número do PIB veio como um balde de água fria sobre setores mais otimistas, que acreditam ainda na possibilidade de crescimento mais vigoroso na segunda metade do ano.

A excitação causada pela divulgação de um leve, modesto, tímido crescimento de 0,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano parece ceder espaço para a constatação – de resto já perceptível nos números do PIB – de que a economia continua reagindo tímida, modesta, levemente ao longo do ano, com a produção industrial embicando para baixo pelo terceiro mês consecutivo. O número veio como um balde de água fria sobre setores mais otimistas, que acreditam ainda na possibilidade de crescimento mais vigoroso na segunda metade do ano.

Um tanto mais animados, os mercados chegaram a antecipar um avanço de 0,5% para a produção da indústria na passagem de junho a julho, interrompendo os recuos de 0,1% e de 0,7% colhidos em maio e junho, respectivamente (sempre na comparação com o mês imediatamente anterior). O dado apurado pela pesquisa da produção industrial divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra mais um recuo, agora de 0,3% em julho frente a junho, o que fez com que o setor passasse a acumular uma perda de 1,2% desde maio.

Nos primeiros sete meses deste ano, portanto, a produção industrial apresentou variações positivas apenas em fevereiro e abril, anotando cinco meses de perdas, se a matemática não falha, deixando uma retração de 1,7% no acumulado dos primeiros sete meses do ano em relação a idêntico período de 2018. Trata-se de um desempenho pífio para dar sustentação a algum crescimento mais brilhante para todo o restante da economia. De acordo com os dados trazidos pela pesquisa do IBGE, setores da indústria mais diretamente relacionados à capacidade de consumo das famílias, que tem apresentando avanços igualmente modestos, têm apresentado resultados mais negativos, com raras exceções.

A produção das indústrias de produtos alimentícios, bebidas e produtos têxteis apresentou baixas de 1,0%, 4,0% e de 1,3% na comparação entre julho e junho deste ano, já m ajustes sazonais (que descontam, por exemplo, o efeito do maior número de dias úteis em julho frente ao mês anterior sobre a produção, tornando a comparação mais próxima da realidade). Se comparada a julho do ano passado, as quedas variaram entre 2,3%, 8,0% e 4,6% para alimentos, bebidas e têxteis, sucessivamente. A indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, ao contrário, conseguiu ampliar sua produção em 6,5% de junho para julho e em 8,7% diante de julho do ano passado.

Reversão

Numa reversão em relação aos meses anteriores, quando a retração da indústria extrativa, explicada em grande parte pela tragédia de Brumadinho (MG), que levou ao tombo na produção de minério de ferro, vinha puxando para baixo o desempenho de toda a indústria, em julho o setor avançou 6,0% frente ao mês anterior. Mas a indústria de transformação sofreu baixa de 0,5%. Segundo a equipe de macroeconomia do Itaú Unibanco, se excluídos os maus resultados de maio do ano passado, provocados pela paralisação dos caminhoneiros, a produção da indústria de transformação chegou ao seu nível mais baixo desde julho de 2017.

Balanço

·   As projeções do banco para a produção da indústria em agosto, considerando indicadores já disponíveis até o momento, indicam recuo de 0,4% em relação a julho, com perdas relativas de 0,2% e 2,4% para as indústrias de transformação e extrativa.

·   Os economistas da instituição mantêm-se ainda menos animados do que o restante do mercado, reforçando sua expectativa de que a economia continua a sustentar um ritmo muito lento de avanço neste terceiro trimestre. Incluindo ajustes sazonais relacionados a fatores específicos do período, o Itaú Unibanco sugere uma retração de 0,2% para o PIB na comparação entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano.

·   O baixo dinamismo da indústria tem impedido que o setor consiga ao menos retomar os níveis de abril do ano passado, antes da greve dos caminhoneiros. Na comparação entre julho deste ano e abril de 2018, a produção industrial apresenta queda ainda de 4,5%.

·   Quase dois terços dos setores industriais acompanhados pelo IBGE mantinham, até julho deste ano, produção inferior à de abril do ano passado, com destaque negativo para os segmentos de produtos de madeira (10,5% de perda no período), manutenção e reparação de máquinas e equipamentos (-12,1%), impressão e reprodução de gravações (-17,9%) e outros equipamentos de transporte (-23,7%).

·   A indústria de bens intermediários, que fornece insumos para todo o restante do setor industrial, contribuiu fortemente para a redução da atividade em toda a indústria na comparação tanto com junho passado como com julho de 2018. A produção de produtos intermediários caiu 0,5% na primeira comparação e despencou 5,4% na segunda.

Ainda na mesma área, as perdas mais severas foram percebidas na indústria de celulose (-18,6% frente a julho de 2018), com perda ainda de 9,8% no refino de petróleo e na produção de álcool e baixa de 6,2% na produção de bens intermediários para o setor de alimentação. 

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