19 de outubro de 2019
GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

coluna Econômica

Exportação cai ainda mais e amplia tombo no saldo comercial de Goiás com o mundo

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 19 de outubro de 2019
A maior contribuição para a redução vertical do resultado veio exatamente da China, principal mercado de destino para as exportações goianas, respondendo por quase 38% de todas as vendas externas realizadas a partir do Estado.

A retração nas compras de soja pela China ao longo do ano, num cenário que combina os efeitos da febre suína africana sobre o plantel chinês e o agravamento nas tensões comerciais entre o país asiático e os Estados Unidos, contribuiu para ampliar a retração das exportações goianas no acumulado entre janeiro e agosto, agravando a tendência de baixa do superávit comercial (exportações menos importações) de Goiás com o resto do mundo. Nos primeiros oito meses deste ano, o Estado exportou US$ 4,364 bilhões, numa queda de 17,45% na comparação com US$ 5,286 bilhões acumulados entre janeiro e agosto de 2018, o que correspondeu a uma perda de US$ 922,468 milhões. Para comparação, até junho deste ano, a redução havia sido de 16,25% frente aos seis primeiros meses de 2018.

Como as importações recuaram numa velocidade muito menos intensa naquela mesma comparação, saindo de US$ 2,365 bilhões para US$ 2,347 bilhões (-0,76% ou US$ 17,891 milhões a menos), o superávit comercial do Estado despencou quase 31%, passando de US$ 2,921 bilhões para pouco menos de US$ 2,017 bilhões, ou seja, US$ 904,577 milhões de perda. Tanto as vendas externas quanto o saldo comercial foram os mais baixos para o período desde 2015, quando o Estado havia exportado US$ 3,919 bilhões e acumulado um saldo de US$ 1,551 bilhão depois de descontadas importações de US$ 2,368 bilhões.

A maior contribuição para a redução vertical do resultado veio exatamente da China, principal mercado de destino para as exportações goianas, respondendo por quase 38% de todas as vendas externas realizadas a partir do Estado. No ano passado, Goiás chegou a vender aos chineses qualquer coisa ao redor de US$ 2,276 bilhões, ou seja, algo como 43,1% de tudo o que havia exportado nos oito meses iniciais do exercício. Neste ano, em igual período, as exportações goianas para a China baixaram 27,9%, para US$ 1,641 bilhão (37,6% do total), correspondendo a US$ 635,225 milhões a menos. Isso significa que o mercado chinês foi responsável por 68,9% da redução sofrida pelo total das exportações goianas.

Concentração e desequilíbrio

Em contrapartida, as importações de produtos chineses saltaram 54,30%, avançando de US$ 182,388 milhões para US$ 281,431 milhões, o que fez desabar o saldo comercial de Goiás com aquele país de US$ 2,094 bilhões para US$ 1,359 bilhão (35,07% a menos). Em números absolutos, o superávit goiano com a China encolheu U$ 734,268 milhões, o que representou, por sua vez, praticamente 81,2% do tombo registrado pelo saldo comercial total do Estado. Ainda assim, a dependência da balança comercial goiana em relação à China manteve-se elevada, denunciando ainda uma relação comercial desigual, já que as exportações para lá continuam concentradas na soja em grão, enquanto as importações apresentam uma larga participação de bens industrializados e manufaturas de maior valor agregado.

Balanço

·   Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Secex/Mdic), levantados pela coluna, produtos químicos orgânicos (US$ 64,309 milhões), veículos, tratores, suas peças e acessórios (US$ 58,811 milhões), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (US$ 33,136 milhões), adubos (US$ 30,322 milhões) e caldeiras, máquinas e aparelhos mecânicos (US$ 26,695 milhões) responderam por 75,8% do valor total de produtos chineses importados por Goiás.

·   Os destaques, até agosto, ficaram por conta de veículos, peças e acessórios e máquinas e aparelhos mecânicos. No primeiro caso, as compras aumentaram 40,5 vezes e, no segundo, mais 285,2% em relação aos oito meses iniciais de 2018.

·   Do lado das exportações, a soja em grão concentrou 64,2% do total embarcado por Goiás rumo ao mercado chinês, com vendas externas de US$ 1,054 bilhão – numa retração de 41,9% em relação a 2018. A participação chinesa nas exportações totais do grão atingiu 84,45% entre janeiro e agosto deste ano, diante de 85,52% em 2018.

·   O Estado exportou, na soma de todos os mercados, US$ 1,248 bilhão de soja em grão nos oito primeiros meses deste ano, representando um tombo de 41,2% diante do mesmo intervalo de 2018 (US$ 2,122 bilhões). Sozinha, apenas a soja em grão representou 94,8% da rasteira sofrida pelas exportações totais do Estado.

·   A segunda maior contribuição para a queda das vendas externas goianas veio do farelo de soja, que sofreu baixa de 22,1% no período analisado, com as exportações do setor baixando de US$ 681,505 milhões para US$ 531,045 milhões.

·   As exportações de minérios de cobre caíram 25,7%, de US$ 317,740 milhões para US$ 236,162 milhões.

Pelo lado mais positivo, as exportações de milho em grão e ouro dispararam, saltando 232% e 58,2% em relação ao mesmo período do ano passado, respectivamente. O Estado exportou US$ 301,443 milhões do cereal e US$ 283,826 milhões do metal. 

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar