22 de outubro de 2019
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coluna Econômica

Indústria de alta tecnologia sofre maior baixa no semestre, num tombo de 6,4%

Publicado por: Lauro Veiga Filho | Postado em 22 de outubro de 2019
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A crise ainda instalada na indústria de transformação, que manteve a produção virtualmente estagnada no primeiro semestre, com variação de 0,2% em relação a igual período de 2018, atinge muito mais duramente os setores de alta tecnologia, que oferecem (ou poderiam oferecer, se estivessem operando a velocidade de cruzeiro) melhores empregos e salários. No levantamento publicado ontem pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a produção das indústrias de alta tecnologia, numa classificação que segue metodologia definida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), desabou 6,4% na comparação aos primeiros seis meses do ano passado.

O desempenho negativo, que toma como base dados apurados pela pesquisa mensal da produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contribuiu de forma decisiva para os resultados muito tímidos acumulados por todo o setor de transformação no mesmo período. As indústrias de média-alta tecnologia, média-baixa e baixa tecnologia conseguiram operar algum crescimento no primeiro semestre, com destaque para o primeiro segmento, que apresentou variação de 2,0%. Contrapondo-se a esse incremento, as empresas industriais de média-baixa e baixa tecnologia apresentaram variação de apenas 0,4%. Definitivamente, nenhum dos setores teve fôlego para assegurar taxas mais alentadas para o conjunto da indústria.

No segmento de alta tecnologia, as piores perdas vieram das indústrias fabricantes de equipamentos de rádio, televisão e comunicação, numa retração de 7,7%, e material de escritório e informática, com baixa de 5,7%. O complexo eletrônico, analisado em conjunto, encolheu 6,6%. Da mesma forma, a produção da indústria de produtos farmacêuticos e de instrumentos médicos, de ótica e precisão caiu 4,1% e 1,0%. De acordo com o Iedi, as perdas no setor de alta intensidade tecnológica foram condicionadas principalmente pelo tombo de 12,5% registrado no primeiro trimestre deste ano, “mas nem por isso o segundo trimestre trouxe algum crescimento”, acrescenta o instituto. De qualquer forma, o recuo foi bem menos intenso, com recuo de 0,1% em relação ao segundo trimestre de 2018.

Atenuação

A “atenuação do quadro recessivo” na indústria de maior intensidade tecnológica, prossegue o Iedi, deveu-se à estabilização na baixa dos segmentos de material de escritório e informática e de equipamentos de rádio, TV e comunicação, que saíram de três trimestres consecutivos de baixa para um avanço, pela ordem, de 0,4% e leve recuo de 0,1% no segundo trimestre deste ano. As indústrias farmacêutica e de instrumentos e aparelhos médicos e óticos observaram avanços de 2,6% e de 3,0% na produção, sempre em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Balanço

·   O crescimento mais acelerado da indústria de média-alta tecnologia (2,0% no semestre, como visto acima) foi puxado pelo setor de veículos (mais 3,5%), seguido de altas de 1,4% e de 1,5% na produção de máquinas e equipamentos elétricos e de máquinas e equipamentos mecânicos, respectivamente.

·   O segmento de outros produtos químicos (que exclui os farmacêuticos) apresentou variação de apenas 0,6% no primeiro semestre.

·   Em seu conjunto, a indústria de bens de alta-média intensidade passou de uma redução de 1,3% no primeiro trimestre para um avanço de 5,3% no segundo, diante do salto de 7,7% registrado pela indústria automobilística e da lata de 6,1% na produção de máquinas e equipamentos mecânicos.

·   A queda de 1,8% na produção de borracha e produtos plásticos e o recuo de 0,5% na produção de produtos de petróleo refinado e outros combustíveis no primeiro semestre contribuíram para o fraco crescimento da indústria de média-baixa tecnologia (0,4%).

·   Naquela área, ao contrário, houve deterioração nos resultados na passagem do primeiro para o segundo trimestre, já que o setor chegou a crescer 1,3% no acumulado entre janeiro a março e recuou 0,4% no trimestre seguinte.

·   A indústria de baixa tecnologia teve seu desempenho no semestre determinado pela queda de 2,3% na produção de madeira, papel e celulose, pelo recuo de 0,7% na produção de têxteis, couro e calçados e pelo baixo incremento na produção de alimentos, bebidas e fumo (1,3%). Bens manufaturados não especificados e bens reciclados cresceram 4,1%.

·   Depois de declinar no primeiro trimestre, o setor de baixa intensidade avançou 2,0% no segundo trimestre, com reação para alimentos, bebidas e fumo (2,4%) e têxteis, couros e calçados (2,1%).

No balanço de 93 segmentos da indústria, 81% anotaram estabilidade (20%), crescimento fraco (22%) ou crise em alguma intensidade (39%) no primeiro semestre deste ano. Esse percentual havia sido de 63% em 2018.  

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