19 de outubro de 2019
GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

blog Lucas de Godoi

Caiado recebe o Presidente de mãos vazias e não faz reivindicações

Publicado por: Lucas de Godoi | Postado em 19 de outubro de 2019
Análise do jornalista Lucas de Godoi.

A frequência de visitas do Presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), a Goiás mereceu pomposos elogios do governador do estado, Ronaldo Caiado (Democratas), durante o último compromisso de Bolsonaro à Capital, na última sexta-feira (26). Mas por hora, os agradecimentos são apenas pela visita ilustre, mas de mãos vazias. É que apesar de vir ao estado três vezes, em nenhuma delas coube à bordo do avião presidencial um agrado: seja anúncio de investimentos em infraestrutura nem qualquer outro aceno de cooperação.

Em seu discurso, enquanto participava do aniversário de 161 anos da Polícia Militar de Goiás e da formatura do sobrinho no Curso de Formação de Oficiais da PM, o Presidente falou em um estado e país devastados, mas não prometeu nada para aliviar a crítica situação fiscal do estado.

Fazer visitas de mãos abanando, como faz o presidente Jair Bolsonaro, não são corriqueiras na política. Seu antecessor Michel Temer (MDB) anunciou a liberação de recursos para financiamento do pré-custeio da safra 2018/2019 quando veio a Rio Verde, em janeiro do ano passado. Na sua última visita, em dezembro, anunciou investimentos de R$ 20 milhões para asfaltar vias em Aparecida de Goiânia.

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) também trouxe recursos e anúncios importantes em suas visitas. A principal promessa feita no estado foi a retomada das obras do Aeroporto Santa Genoveva, inaugurado mais tarde pela então presidente, já prestes a sofrer o processo de impeachment.

Em Goiás, apesar dos apertos indicados pelo governador, ele não apresentou ao Presidente, nenhuma demanda específica. No último evento aberto à imprensa, Caiado e Bolsonaro rememoraram a atuação no Congresso Nacional, onde ambos atuaram por mais de 20 anos. O Presidente, inclusive, disse que o governador “não é um paraquedista, mas é um grande guerreiro. Aliado meu, em especial, nas causas ideológicas desde há muito, dentro da Câmara dos Deputados”.

A proximidade ideológica citada pelo Capitão ainda não resultou em grandes benefícios para o povo goiano. A atuação do Governo Federal, até agora, resumiu-se no envio de alguns milhões de reais para a Saúde do estado e outras parcerias pontuais, como a disponibilização emergencial de uma ponte metálica do Exército na GO-060 e atendimento a emendas parlamentares que beneficiaram cidades goianas.

Em Brasília, Bolsonaro foi capaz de fazer pouco para o colega congressista. Em parte pela incapacidade política em articular com os parlamentares e também pelo tempo perdido em gerenciar a sucessão de crises que seu mandato e sua família demandam.

Isto, inclusive, é um ponto incomum entre governador e Presidente. Caiado também teve contrariada a sua escolha para a presidência da Assembleia Legislativa, insucesso com várias pautas enviadas à Casa e, como mostrado por O Hoje, deverá nomear outro Líder para melhorar o desempenho da base no Legislativo goiano.

Outra semelhança entre os políticos é o prestígio dado a membros familiares por parte dos políticos em postos da máquina pública. Enquanto Bolsonaro tenta emplacar o filho embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Caiado possui nove parentes alocados na estrutura do Governo.

Agora, é saber se tamanha proximidade e semelhança entre os representantes vai, de fato, culminar em benefícios para os goianos. Foi votos daqui que elegeram o Líder do Governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL) e outro importante deputado federal de sua legenda, Delegado Waldir. Jair Bolsonaro também garantiu 65,52% dos votos válidos em Goiás. Em Goiânia, teve 74,20%.

Tudo isso serviu para gerar no Presidente o sentimento de que “cada vez mais eu me sinto um pouquinho mais goiano também”. Que na próxima vinda ao Estado, nesta quarta-feira (31), o Presidente seja capaz de sentir as dores que afligem a população do estado, como a recessão no mercado de trabalho, cuja criação de vagas no mês de junho  foi a segunda pior resultado dos últimos 15 anos.  

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar