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07/03/2018 | 06h00
Demolição do Jóquei é suspensa
O alvará de demolição do prédio foi expedido pela Prefeitura de Goiânia durante reunião ocorrida no Paço Municipal em 26 de dezembro do ano passado, e quase foi concretizada

Marcus Vinícius Beck*


A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplahn) arquivou ontem o processo em que sacramenta a demolição da sede do Jóquei Clube, na Rua 3 com a Avenida Tocantins, em Goiânia. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-GO) entrou com pedido de desistência em definitivo, pois o prédio é tido como um dos mais importantes do Centro da Capital por conta de vários carnavais de que foi palco entre as décadas de 1940 e 1970. O Jóquei Clube já gerou déficit de R$ 30 milhões aos cofres públicos.

O alvará de demolição do prédio foi expedido pela Prefeitura de Goiânia durante reunião ocorrida na sede do Paço Municipal em 26 de dezembro do ano passado, e quase foi concretizada. Aos 45 do segundo tempo, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-GO) protocolou pedido junto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Goiás (Iphan) para que o prédio histórico não fosse dizimado.

Crítica da demolição do Jóquei Clube, a conselheira da CAU-GO e arquiteta, Maria Ester de Souza, afirmou ao O Hoje que a justificativa adotada pela direção para legitimar o desapego ao prédio é irreal. “Manter o edifício intacto é fundamental para que haja a preservação arquitetônica do Centro da Capital”, diz. De acordo com ela, antes de mais nada, é preciso lembrar que muitas pessoas viveram momentos memoráveis na pista do Jóquei. “Além disso, o prédio foi projetado por um arquiteto com renome internacional”.

Com aproximadamente 22 mil metros quadrados e projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o terreno do Jóquei Clube está avaliado em quase R$ 40 milhões. A diretoria do prédio acreditava que a venda da casa aconteceria, no máximo, até o final do ano passado. Porém, quando a diretoria estava prestes a bater o martelo e selar a venda do espaço, o Poder Judiciário entendeu que a alienação do prédio poderia acarretar fraude à execução fiscal.

Determinou-se, ainda, que o Jóquei Clube comprovasse ter patrimônio suficiente para conseguir arcar com a dívida que possuía junto ao Município.  Com a venda, a Prefeitura pretendia aproveitar o hipódromo da Alagoinha, no Setor Cidade Jardim, para construir uma réplica na sede do clube, em tamanho e forma menor. O Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, porém, disse que não possui conhecimento sobre a venda, nem demolição do local.


Importância

Projetado em 1962 pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, segundo a ser premiado internacionalmente depois do também brasileiro Oscar Niemayer, o Jóquei Clube está gravado na memória do goianiense por conta do convívio que durante décadas perdurou ali. Pioneiros da Capital o frequentavam, alem de jovens de sucessivas gerações posteriores. No momento, o local encontra-se fechado, com portões com cadeado.

Para mantê-lo aberto, a população criou uma página no facebook chamada “Salve Jóquei”, onde saudosos expressaram a importância que o local teve em suas vidas. Organizou-se, ainda, atos em frente à sede do prédio em memória do Jóquei. Em dezembro, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO) disse que o prédio está inserido na alma da população goianiense, que viveu o esplendor de suas vidas no salão de festas do local.

Essa não é a primeira vez que a história do Jóquei se manchou. No passado, uma mata que existia nas extremidades do prédio foi derrubada, soterrando a nascente do Córrego Buritis. Espaço de convivência, o local virou um imenso pedaço de concreto, que abriga carros e motos. Adeptos da revitalização do Jóquei dizem que ele poderia ser reaproveitado e, até mesmo, fomentar o esporte de alto rendimento.


Mercado imobiliário

Especialistas ligados ao mercado imobiliário de Goiânia afirmam que uma possível venda do Jóquei Clube, mais antigo de Goiás, varia entre R$ 1.700 e R$ 1.800 por metro quadrado. Como o terreno é de 21,9 mil metros quadros, o valor orçado chegaria a aproximadamente R$ 39 milhões. Com isso, os carnavais memoráveis de Goiânia nas décadas de 1940 e 1970 poderia dar lugar aos cultos evangélicos, porque a sede do local esteve na mira de gente ligado às igrejas evangélicas. 


Pedido de tombamento do Jóquei gerou recuo em compradores 

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO) entrou, no final do ano passado, com pedido de tombamento do Jóquei Clube, na Rua 3 com a Avenida Tocantins, no Setor Central. De acordo com órgão, as possibilidades de venda, que já estavam em estágio avançado, tiveram recuo após pedido para torná-lo patrimônio histórico. A intenção era agilizar a venda até o final do ano passado.

Por outro lado, a Prefeitura de Goiânia ainda é a principal credora do clube, que possui dívida de R$ 38 milhões de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A diretoria do Jóquei reclama o motivo que levou ao recuo dos compradores do Jóquei foi justamente o pedido protocolado pelo CAU, pois a direção segue com dívida na casa de R$ 17 milhões.

Estava prevista uma convocação da diretoria do clube para a segunda quinzena de fevereiro onde seria discutido formas para salvar o Jóquei Clube. Mas com a notícia de que a venda do espaço era concreta e poderia acontecer a qualquer momento, o número de processos judiciais aumentou em desfavor do Jóquei, despertando interesse por parte do mercado imobiliário. Um deles era a Igreja Universal do Reino de Deus, que chegou até a enviar arquitetos ao local para avaliar a estrutura do prédio.

A sede do Jóquei foi considerada apta para o local em novembro, quando teve início uma série de manifestações contrárias à venda da sede, especialmente de sócios remidos do clube e a comunidade de arquitetos e urbanistas. Na avaliação da Prefeitura, o lote entre a Avenida Anhanguera e a Rua 3, no Setor Central, admite uso do solo sem limitações de porte, porém quanto a ocupação se permite 90% do subsolo.


Futuro                                                                             

Os técnicos da Prefeitura disseram ainda que, para o Jóquei Clube receber cultos religiosos, é necessário que haja um tratamento acústico que iria torná-lo apto para receber manifestações religiosas. Acerca do futuro do prédio, os sócios afirmaram ser possível uma renegociação da dívida e a abertura para a entrada de novos interessados. (Marcus Vinícius Beck é estagiário do jornal O Hoje, sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian) 

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