20 de julho de 2018 - sexta-feira

Euro R$ {{cotacao.valores.EUR.valor| number:3}}    Dólar R$ {{cotacao.valores.USD.valor | number:3}}
{{tempo.cidade}}
{{tempo.previsoes[0].temperatura_min}}° MIN {{tempo.previsoes[0].temperatura_max}}° MÁX
Cidades
Investimentos
26/03/2018 | 06h00
Centro deverá ser revitalizado
Novo Plano Diretor estabelece parâmetros que devem ser adotados para revitalização do Centro de Goiânia. Atualmente, região serve como grande ‘mocó’

Marcus Vinícius Beck*


A ocupação do Setor Central deve ser prioridade da Prefeitura de Goiânia nos próximos anos. Em entrevista ao O Hoje, o coordenador do novo Plano Diretor e superintendente de planejamento urbano, Henrique Alves Luiz Pereira, disse que haverá estímulo a empresários que desejem investir na região. “Antes de qualquer coisa, estamos mapeando os bens tombados e estabelecendo alguns parâmetros, como outorga onerosa do direito de construir, que irá estimular investimentos para atraiam a população ao Centro”, afirma. O Plano Diretor pode ser encaminhando à Câmara de Vereadores para votação no início de abril.

Por outro lado, algumas medidas que constam na minuta do Plano são vistas por Maria Ester de Souza, conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), com desconfiança. Segundo ela, o fomento por parte da Prefeitura para que as pessoas utilizem o Centro com fins de investimento ajudará bastante a modificar a paisagem encontrada na região. “Mas é preciso tomar muito cuidado para não pôr para baixo do tapete as pessoas que estão em condição de rua e que moram no local”, diz. “Tem um conjunto arquitetônico que tem de ser respeitado, mas e as pessoas que moram nas edificações, como ficarão?”


Situação de rua

A reportagem andou pelos 22 prédio tombados como Patrimônio Histórico da Humanidade pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan) e viu que vários destes edifícios, sobretudo os que estão localizados na Praça Cívica, servem como abrigo para moradores de rua. De costas para o Palácio Pedro Ludovico Teixeira, viciados fazem uso de drogas em plena luz do dia. Com cachimbo em mãos uma pessoa em situação de rua falou ao O Hoje: “vocês vieram aqui logo depois que me droguei, cortou minha ‘onda’”.

Em outro ponto, no início da Avenida Goiás em esquina com a Rua 1, um homem aproveitava para lavar suas roupas no espelho d´água ao lado do primeiro relógio de Goiânia, que está pichado com o símbolo anarquista. Mesmo com a equipe registrando em imagens o episódio, ele não se sentiu incomodado e prosseguiu limpando suas vestimentas em meio ao trânsito de carro e pessoas pela avenida. Instantes depois o homem saiu caminhando como se nada tivesse acontecido. Quem passa pela região com frequência aprendeu a conviver com essas cenas. 

Cozinheira da Secretaria Estadual de Cultura, Educação e Esportes (Seduce), Dilva da Rocha e Silva, 50, disse que não sente medo algum quando passa perto de algum ‘mocó’. “Aprendi a conviver com eles”, garante ela, andando apressada. Questionada sobre o deserto que há nos prédios históricos da Praça Cívica, ela afirmou que seria interessante alguma iniciativa para fomentar que as pessoas comecem a fazer do Centro parte de suas rotinas. “Os prédios são tão bonitos, mas ao mesmo tempo tão abandonados e você fica pensando ‘por que ninguém faz nada para transformá-lo em espaço de lazer?”. 

Mas nem todos concordam que o Centro passou a ser habitado por moradores de rua. O funcionário público Tancredo Souza Pereira, 50, relatou que nunca percebeu os prédios históricos como ‘mocó’. Contrário à afirmativa, ele reconhece que a região central tem de passar por um estimulo para que a população goianiense volte a freqüentá-la. “Há prédios, como o Museu da Imagem e do Som (MIS), que reúnem um grande acervo audiovisual, que está completamente abandonado. No material há parte da história da nossa Capital”, frisa. 


Importância

Goiânia é uma cidade planejada e símbolo da modernidade. Arquitetado pelo modernista Attilio Corrêa Lima e fruto da Marcha Rumo ao Oeste de Getúlio Vargas, o início de Goiânia se deu pelo Setor Central. De acordo com a conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás, Maria Ester de Souza, os prédios históricos de Goiânia são considerados a característica mais singular da cidade. “As edificações e Art Déco de Goiânia, além de muito bonitas, são valorosas, do ponto de vista arquitetônico”, destaca. 

Ao andar pelas ruas do Centro, é possível se deparar com fachadas de publicidade. Conforme noticiou O Hoje em julho do ano passado, os 22 edifícios históricos tombados pelo Iphan ficam ofuscados pelos gigantes painéis nas fachadas de farmácias e lojas. Tentando amenizar a poluição visual, o ex-prefeito Pedro Wilson tinha como objetivo em seu mandato evitar que os prédios ficassem ofuscados em meio ao comércio. Anos depois, o vereador Elias Vaz propôs a padronização das fachadas. 

O estilo art déco ficou conhecido em 1925 na feira mundial realizada em Paris Arts Décoratifs ET Industriels. Na década de 1930, a Art Déco começou a ganhar aspecto suave, aproximando-se das formas modernistas. Com os traços do estilo, o que se desejava era efeito visual que haveria de expressar uso da racionalidade, a exemplo do Roquefeller Center, nos EUA, onde o Déco faz sucesso.  


Novo Plano Diretor preve investimentos em cultura e lazer 

Poucos bares, restaurante e manifestações culturais funcionam no Setor Central, mas a minuta do novo Plano Direito trata justamente deste problema. Entre os pontos apresentados no projeto estão a criação de incentivos para que as pessoas passem a morar e empreender na região. De acordo com o superintendente de planejamento urbano e coordenador do Plano Direitor, Henrique Alves Luiz Pereira, iniciativas como a do Chorinho no Grand Hotel devem ser corriqueiras. “Quem irá aplicar essas medidas culturais é a Secretaria de Cultura”, esclarece.

Conforme adiantou O Hoje em fevereiro, outros pontos famosos também devem ser revitalizados em breve. O Mercado Aberto, na Avenida Paranaíba, deve fazer parte da lista de modificações. O projeto de lei que caracteriza o Plano Diretor de Goiânia tem como prioridade a revitalização do Setor Central. No texto ficou claro que o discurso adotado é de que a Prefeitura buscará recursos para viabilizar a construção de habitações coletivas e atividades comerciais, que deverão atrair a população – cada vez mais distante do Centro – para o setor mais antigo de Goiânia. 

Sobre às atividades de cunho econômico, existe um incentivo às construções de fachadas ativas que são características do Centro. Os projetos de fomento ao comércio contarão com áreas úteis de 540 metros quadrados e não terão mais a obrigação de manter vagas de estacionamento. O projeto de revitalização da Praça do Trabalhador, no Setor Central, já saiu do papel. Quando ficar pronto, o local deve receber manifestações culturais.

Caso o novo Plano Diretor seja aplicado, o Centro passará a ter quatro situações diferentes em três áreas previamente mapeadas. A primeira delas é a área em que situa-se a Praça Cívica, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio histórico, estátua do Bandeirante, Grande Hotel – que recebe o projeto cultural Grand Hotel Vive o Choro -, Estação Ferroviária e Praça do Trabalhador. Símbolos de Goiânia, esses locais não podem ter modificações sem ausência dos órgãos que os tombaram. (Marcus Vinícius Beck é estagiário do jornal O Hoje, sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian)  

Tópicos:

Comentário

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.
(62) 3095-8700 / 3095-8722 (dp. comercial)