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Economia

Sob condição favorável, biomassa poderia gerar duas vezes a energia de uma Itaipu

Postado em: 16-05-2019 às 18h45
Lauro Veiga

Caso todas as externalidades, positivas e negativas, das diversas fontes de geração de energia fossem devidamente reconhecidas nos preços contratados para venda e o marco regulatório do setor elétrico provesse um ambiente mais favorável, a biomassa poderia quase dobrar sua capacidade de geração, saltando de 14,9 gigawatts para algo próximo a 28,4 GW, o dobro da capacidade da hidrelétrica de Itaipu. Os estudos da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), conforme seu presidente executivo, Newton Duarte, e o diretor de tecnologia e regulação Leonardo Caio Filho, mostram que perto de 12,0 GW, pouco mais de 40% daquela geração potencial, poderiam vir da biomassa florestal, utilizando terras já disponíveis.

A energia do biogás, produzido a partir das 360 bilhões de toneladas de vinhaça obtidas no processo de moagem da cana, poderia acrescentar mais 2,4 a 2,5 GW. “Com o estímulo do RenovaBio”, acrescenta Duarte, “a produção de etanol tende a aumentar de 30,0 bilhões para 50,0 bilhões de litros até 2030, o que exigirá a moagem de mais 200 milhões de toneladas, praticamente um terço a mais comparando com a safra de 2018”. O avanço, se vier a ocorrer, agregaria mais 4 GW à capacidade atual de geração do setor, num incremento de 35%.

A realidade mostra, no entanto, que o setor e o governo terão que empreender novos esforços para destravar esse mercado e abrir caminho para o avanço mais célere das fontes de geração baseadas na biomassa. No ano passado, lembra Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), incluindo todas as fontes, a biomassa injetou no sistema integrado 26.345 gigawatts/hora, crescendo 3,4% diante de 25.482 GWh vendidos à rede em 2017 – ano em que a venda de energia da biomassa havia avançado em velocidade duas vezes maior. As vendas de energia do setor sucroalcooleiro andaram de lado, variando apenas 0,2% no ano passado, saindo de 21.444 para 21.492 GWh, segundo dados da Câmara deComercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Terceiro pior ano

“Tivemos ainda o terceiro pior ano na contratação de novos projetos de cogeração da cana no mercado regulado”, constata Souza. Realizados no ano passado, os leilões A-4 e A-6, para entrega respectivamente em 2022 e 2025, registraram quatro dezenas de projetos de cogeração a partir da cana, mas apenas quatro foram vencedores, representando a contratação de 90,3 megawatts de potência, numa queda de 40% em relação a 2017. A capacidade instalada no segmento deverá crescer em torno de 1% neste ano, no ritmo mais lento em toda a década, prevendo-se a entrada em operação de apenas 41 MW.

Balanço

·   O trabalho para tentar construir um ambiente de contratação mais favorável reuniu Unica, Cogen, Raízen e consultorias especializadas. Nas negociações com o Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram apresentadas mais recentemente duas sugestões, a primeira envolvendo a realização de um leilão para contratação de energia de reserva ainda neste ano, explorando a capacidade já instalada.

·   Alternativamente, o setor propõe uma revisão, ainda neste ano, da metodologia de cálculo da garantia física, que determina o volume de energia que cada fonte consegue gerar, de forma a assegurar uma oferta adicional de energia estimada entre 20% a 30% sobre os volumes atualmente entregues pelo setor ao sistema integrado, sem necessidade de qualquer investimento adicional.

·   “Desenvolvemos o critério de geração verificada, que permitiria a todas as fontes de geração incentivada vender toda a energia gerada durante cinco anos”, detalha Caio Filho. O sistema seria opcional para as fontes geradoras, mas permitiria ao setor escapar do famigerado Preço de Liquidação de Diferenças (PLD).

·   O mecanismo de liquidação no mercado de curto prazo emperrou quase literalmente, bloqueado por uma centena de liminares que têm dispensado as hidrelétricas do pagamento da energia que foram forçadas a comprar no mercado spot para suprir seus contratos de fornecimento.

O tamanho desse passivo já se aproxima de R$ 7,62 bilhões segundo a CCEE, dos quais meio bilhão de reais, estima Souza, são devidos ao setor de biomassa de cana. 

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