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Economia

Retração do setor público responde por quase 40% da queda no investimento total

Postado em: 17-05-2019 às 08h50
Lauro Veiga

Divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados consolidados do investimento dos governos estaduais, municipais e federal comprovam o estrago produzido pelo arrocho fiscal sobre o investimento total na economia e sugerem como será muito mais complicado retomar o crescimento nesta área com a política ultraliberalizante definida pelo Ministério da Economia. A resposta da equipe econômica às previsões de um Produto Interno Bruto (PIB) muito abaixo do alardeado imediatamente após as eleições de 2018, como visto, foi de mais cortes de despesas, o que certamente voltará a afetar negativamente o investimento federal, que já se encontra nos níveis mais baixos na série histórica de dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

O IBGE consolidou as contas dos governos e calculou a “formação bruta de capital fixo”, ou seja, o investimento total gerado pelas três esferas do Poder Executivo. Em valores correntes, esse investimento atingiu R$ 115,098 bilhões em 2013, correspondendo a 2,16% do PIB ou a algo como 10,32% do investimento total em toda a economia. Em 2017, dado mais recente preparado pelo instituto, o investimento dos governos desabou para R$ 80,345 bilhões, num tombo de 30,19% em quatro anos.A conta passou a representar 1,23% do PIB (0,93 pontos de porcentagem a menos) e apenas 8,2% do investimento total.

Em igual intervalo, a formação bruta de capital fixo (leia-se, novamente, o investimento consolidado de todos os setores da economia) baixou, em valores correntes, igualmente calculados pelo IBGE, de R$ 1,115 trilhão para R$ 981,82 bilhões, em baixa de 11,94%. Menos R$ 133,124 bilhões foram investidos. Na comparação com o PIB, a taxa de investimento encolheu de 20,91% para 14,98%, numa perda de 5,93 pontos de porcentagem, correspondente a uma redução de 28,4% (a queda no confronto com o PIB foi mais intensa porque o produto continuou avançando no período em valores nominais, diante da retração do investimento também a valores correntes).

Com estatais

O mesmo pode ser observado em relação ao investimento dos governos em seus três níveis, já que, como proporção do PIB, a redução chegou a 43,1%. Sob esse ângulo, os cortes realizados pelos Estados, prefeituras e pela União representaram 15,68% da redução de 5,93 pontos registrada pelo investimento total. Mas resta incluir na conta os investimentos das estatais e, neste caso, o tombo se agrava e a contribuição do setor público como um todo para a retração do investimento em geral sobe para quase 40% (mais precisamente, 38,6%). Como sugerem diversos estudos nesta área, é pouco provável que o investimento privado retome crescimento mais acentuado num cenário ainda de baixa para o investimento público, como deverão mostrar os dados consolidados do IBGE para 2018, quando as políticas de arrocho continuaram a vigorar.

Balanço

·   O investimento executado pelas estatais controladas pelo governo federal, nos dados do Ministério da Economia, desabou de R$ 113,541 bilhões em 2013 para R$ 50,650 bilhões em 2017, numa perda de 55,4% ou impressionantes R$ 62,891 bilhões (45% a mais do que todo o investimento realizado pela Petrobrás em 2017, por exemplo).

·   A fatia investimento das estataisno PIB despencou de 2,13% para apenas 0,77% (1,36 pontos de porcentagem). Apenas as estatais, portanto, tiveram participação de 22,9% na redução do investimento total.

·   Na soma de prefeituras, governos estaduais, União e estatais federais, o investimento conjunto caiu 42,71% a valores nominais (o que significou uma queda ainda mais impressionante em termos reais).

·   Nessa conta, a investimento baixou de R$ 228,639 bilhões em 2013 para R$ 130,995 bilhões, o que correspondeu a um corte de R$ 97,644 bilhões. A contribuição para o investimento total encolheu de 20,51% (pouco mais de um quinto) para apenas 13,34%.

·   Em relação ao PIB, a perda atingiu 2,29 pontos, com a participação murchando de 4,29% para 2,0% no período analisado.

·   Os demais setores da economia deixaram de investir algo em torno de R$ 35,480 bilhões, já que o investimento baixou de R$ 886,305 bilhões para R$ 850,825 bilhões, numa estimativa feita pela coluna com base nos dados do IBGE e do Ministério da Economia. A queda nominal foi de “apenas” 4,0%.

Mas, como proporção do PIB, a perda foi mais relevante, com retração de 21,9% entre 2013 e 2017, já que a fatia do setor (que basicamente pode ser identificado como o investimento privado) no produto baixou de 16,62% para 12,98%. 

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